A derrubada do decreto que aumentava a alíquota do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) nesta semana representou um marco na já desgastada relação entre o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e o presidente da Comissão Mista de Orçamento, Hugo Motta. A decisão do plenário da Câmara dos Deputados, que revogou a medida por ampla maioria (383 votos a favor e apenas 98 contra), foi interpretada como um duro golpe político ao governo federal, especialmente em um momento de forte pressão fiscal.
A medida derrubada afetaria diretamente as alíquotas do IOF em operações de câmbio, encarecendo remessas internacionais e impactando a arrecadação em cerca de R$ 10 bilhões anuais, segundo projeções da equipe econômica. O governo justificava o decreto como uma forma de equalizar tributos e corrigir distorções no sistema, mas a base aliada entendeu o movimento como unilateral e mal articulado.
Nos bastidores, fontes revelam que Hugo Motta sentiu-se desrespeitado por declarações de Haddad à imprensa, além de incomodado com elogios públicos do ministro ao deputado Arthur Lira — seu antecessor na Câmara — sem qualquer aceno à sua atuação atual. A quebra de confiança culminou na decisão de pautar a revogação do IOF de forma repentina, usando inclusive as redes sociais para anunciar a votação antes mesmo da comunicação institucional.
A movimentação acentuou a percepção de isolamento político de Haddad dentro do Congresso, num contexto em que parlamentares também se queixam de atrasos na liberação de emendas e de críticas veladas a projetos de iniciativa da Câmara. Apesar de aliados tentarem reatar os laços e suavizar o desgaste, o episódio do IOF fortaleceu a figura de Hugo Motta como líder independente e colocou em xeque a capacidade de articulação da Fazenda junto à base parlamentar.
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